As horas de sono devem ser reguladas, não apenas devido à saúde, mas também para conservar a beleza. Sete a oito horas por noite é o ideal. E desculpar-nos das noitadas, dizendo que recuperaremos as horas de sono perdidas dormindo de dia é tolice, pois o sono realmente reparador é o noturno. O horário indicado será de onze horas da noite às seis ou sete da manhã. Organizando assim a sua vida, a mulher consegue manter os nervos equilibrados, e todos os efeitos devastadores causados pelos nervos ou pelo cansaço desaparecerão. Como as olheiras, as rugas, a pele embaçada e manchada, o ar de exaustão que traduz velhice. O hábito de deitar tarde apressa a chegada da idade. Naturalmente que isso não quer dizer proibição terminante para festas, bailes ou boates. Mas quer dizer proibição ao abuso. Dormindo pouco, nossos nervos ficam excitados, o corpo ressente-se do esgotamento – pois nada é mais exaustivo que a falta de um bom sono – e lá aparecem, nos olhos, na pele, nas linhas do corpo, nos cabelos, os sinais que tanto perturbam e abatem uma mulher.

Se a falta de sono compromete a saúde a e beleza, porém, o sono em excesso provoca acúmulo de gorduras, e a obesidade é nossa maior inimiga. Dormir dez ou doze horas, por dia, provoca o enlanguecimento, a falta de ânimo, traz hábitos sedentários e, em pouco tempo, toda a elasticidade, toda a esbeltez, tudo que era sintoma da mocidade desaparece. A mulher jovem transforma-se numa matrona indolente e sem encantos.
O sábio, portanto, repito, é dosar convenientementeas suas hora de sono, evitando o cansaço e os sinais reveladores de uma noite em claro, e fugindo à moleza e ao excesso de peso.
*Publicado originalmente no Correio da Manhã, por Helen Palmer, no dia 8 de janeiro de 1960. Encontrado no livro Só Para Mulheres, de Clarice Lispector*








