set 22

 

A ascensão de Henry VIII, em 1509, introduziu o Renascimento na cultura inglesa da época, tendo sua corte como centro. O amor de Henry pelo esplendor e luxuria, assim como suas formas de entretenimento dispendiosas e o patrocínio de artes e educação, estabeleceram a corte inglesa como um dos lugares mais expressivos do leste europeu, tendo como sua única rival em importância a França. Henry adorava usar e mostrar roupas finas, tecidos suntuosos, ricas peles de animal e magníficas jóias, principalmente para reforçar sua imagem, inicialmente de jovem príncipe da Renascença e posteriormente como um rei maturo e dominador.

As roupas masculinas, mais extravagantes que as femininas durante o reinado de Henry, eram compostas basicamente de 5 peças sobrepostas: uma espécie de beca (gown), camisa com mangas curtas e sem colarinho (jerkin), jaqueta curta ajustada ao corpo (doublet), calça justa (hose) e uma camisa.  Suntuosos tecidos italianos eram usados para as peças externas – a beca poderia ser produzida em pele incrustada de brocados, bordados de fios de ouro e jóias. A camisa de mangas curtas e a jaqueta eram puxadas para fora, para mostrar o contraste de tecidos. O mesmo poderia acontecer com a camisa, que tinha sua barra puxada pela manga. A calça era formada por uma parte superior e uma inferior, usadas juntas até 1570, e fixadas à jaqueta por tiras com pontas de metal. As camisas eram bordadas e tinha babados, normalmente de renda, no colarinho e punhos. Os chapéus eram usados tanto dentro quanto fora; normalmente era feitos de lã e brim, adornado com jóias e penas.

henry-viii

Henry VIII

 

Já para as mulheres, o traje era formado por uma túnica (kirtle) usado debaixo de um elaborado vestido. Essa túnica tinha um estruturado corset, com um decote baixo e quadrado, acompanhado de uma saia volumosa, que tinha aparte da frente aberta, formando um triângulo invertido. Esse corte servia para deixar à mostra a saia de baixo, dando destaque ao contraste de tecidos.  As exageradas mangas eram dobradas para fora na altura do cotovelo, mais uma vez para exaltar o contraste de tecidos. O colo era coberto por um pedaço de tecido fino, bordado na ponta. A touca inglesa, tão popular até 1530, era uma estrutura rígida que emoldurava o rosto. A touca, feita de veludo preto, tinha duas grandes faixas na ponta, que poderiam ser usadas presas. Embaixo dessa touca, era usado um xale de tecido fino para cobrir os cabelos. As jóias comuns eram os colares, pingentes, broches e cintas.

 

Os vestidos espanhóis, extremamente formais, tornaram-se uma significante influência na moda da metade do século e foram adotas nos territórios comandados pela dinastia Hadsburg, A qual a Espanha então pertencia. A Inglaterra não estava imune dessa influência: através de Catarina de Aragão e sua filha Maria I, cujo casamento com Felipe II em 1545 uniu brevemente os dois países, o estilo espanhol tornou-se o auge da moda nas cortes. Os homens trocaram a beca pela capa espanhola, uma jaqueta de couro sem mangas e uma segunda jaqueta mais ajustada ao corpo, adornadas na barra. Já as mulheres, que desde meados de 1545 adotaram uma armação que dava volume às saias horizontalmente, usavam um corpete separado da saia, com uma capa para se aquecerem.

 

Catherine Paar, sexta esposa de Henry VIII

Catherine Paar, sexta esposa de Henry VIII

 

Apesar dos altos impostos, o período elisabetano presenciou um grande aumento de gastos com roupas, impulsionados não só pela aristocracia, mas pelas classes burguesas e comerciantes também. A ascensão de Elizabeth anunciou o amor pelas cores fortes e a paixão pelos bordados, uma importante parte de da educação de todas as mulheres da época. Esses bordados acompanhavam todas as peças de roupa, e eram recheados de simbolismos e códigos (vamos explicar isso melhor no próximo post!).

A mais importante mudança no vestuário feminino durante o reinado de Elizabeth foi a introdução da armação em formato de tambor, por volta de 1590, usada por baixo da saia. O corpete comprimia a parte do estômago, e seu formato triangular tinha ponta estendida até a saia. A largura do corpete era compensada pelas enormes mangas de formato tubular. O cabelo era preso no alto por jóias e penas. A maquiagem, feita a base de chumbo, era utilizada para clarear a pele, e as veias do pescoço e colo eram pintadas de azul para ficarem mais evidentes.

Fonte: “Costume – from 1500 to present time” (The Pitkin Guide), de Cally Blackman (pags. 2-5)

Agora podemos indicar 2 filmes onde dá pra entender bem como funcionavam as roupas:

elizabeth1 Elizabeth (1998), de Shekhar Kapur. O filme conta como foi a ascensão e primeiros anos do reinado da Elizabeth I na Inglaterra. Ganhou vários prêmios e o Oscar 1999 de Melhor Figurino e Maquiagem, entre outros!

elizabeth-era-de-ouro Elizabeth: A Era de Ouro (2007), também de  Shekhar Kapur. Esse filme é quase uma continuação do anterior. Elizabeth aparece bem mais madura, tendo que conciliar seus sentimentos com ameaças estrangeiras e conspirações. Também ganhou o Oscar 2008 de Melhor Figurino

Semana que vêm tem mais!! Até lá!!

set 10

“As vestimentas e roupas são a forma mais visível que temos para nos expressar. Por centenas de anos elas tem sido usadas para demonstrar status, poder, mensagens políticas e riqueza, enquanto para as pessoas mais comuns, elas tem se adaptando para diferentes condições e profissões. No período em que esse guia começa, no séc. XVI, vestidos elaborados era um privilégio de muitos poucos. Apenas os mais ricos da terra – isso quer dizer, a realeza e corte – tinham condições de adquirir os tecidos luxuosos, peles e jóias, que custavam muitas vezes o salário anual de um trabalhador. O consumo evidente era o mais importante ingrediente na moda.

Gradualmente, contudo, com a ascensão da classe média e melhoras nos padrões de vida para a maioria das pessoas no decorrer dos séculos, a moda virou um bem muito visado. Nessa maneira, a direção de influência da moda mudou – ao invés das tendências serem passadas das classes sociais mais altas para as mais baixas, a democratização da sociedade e da moda mostra que agora a inovação freqüentemente vem das ruas…

Talvez porque poucas pessoas, do passado ou do presente, são imunes a sedução de roupas bonitas, nós podemos relacionar nossas próprias experiências com vestimentas mais elaboradas com as dos nossos ancestrais – efêmero como possa parecer, moda não é apenas um barômetro da sociedade, mas também toca todas as nossas vidas. “

Esse texto foi escrito por Cally Blackman, como introdução do livro “Costume from 1500 to present time” (The Pitkin Guide), que é um ótimo guia sobre a história da moda! Mas nada de sair correndo para as livraria tentando achar esse livro… Vamos postar tudo aqui no site da Cherry Pie!! A cada semana vamos trazer pra vocês um pedacinho resumido da história da moda, desde 1500 até os dias de hoje.

Cherry Pie

Agora é só aguardar!!